Quando comecei a acompanhar as discussões sobre o transporte rodoviário de cargas no Brasil, logo percebi algo muito presente no dia a dia do setor: a realidade do frete fracionado é completamente diferente do transporte de carga lotação. E, desde outubro de 2025, essa diferença passou a pesar no bolso e nos processos de quem depende das estradas.
Como alguém atento às mudanças regulatórias, notei que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) intensificou a fiscalização automática para garantir o piso mínimo do frete nas rodovias – algo necessário, mas que trouxe problemas na prática, pois os critérios foram desenhados tendo como base outro cenário de transporte.
Por dentro do frete fracionado e sua importância nacional
Todo mundo que atua no segmento sabe: o frete fracionado é peça-chave para fazer o varejo, o e-commerce e até cidades médias e pequenas continuarem abastecidas. Não são raras as histórias que eu ouço de caminhoneiros e transportadoras que precisam, em uma única viagem, entregar cargas para dez clientes diferentes, em rotas que mudam ao longo do percurso.
Segundo dados citados pela Confederação Nacional dos Transportes, o transporte rodoviário representa cerca de 62% de toda a movimentação de cargas no Brasil. Não à toa, o país é dependente desse modal – realidade bem diferente se compararmos com lugares como Estados Unidos ou Austrália.

O modelo fracionado funciona exatamente por causa da diversidade do mercado interno: caminhões rodam, em média, com 8 a 12 embarques por viagem, e não há um único ponto de partida ou entrega. É um tipo de operação que ganha ainda mais relevância à medida que cresce o volume de vendas online e de demanda por entregas rápidas para cidades menores.
A fiscalização automática e o problema do “tamanho único”
Ao escrever este texto, observei nos debates do setor uma insatisfação crescente: a fiscalização que se tornou automática pela ANTT desde outubro de 2025 começou a aplicar as mesmas regras criadas para cargas lotação – aquelas nas quais o caminhão leva uma só mercadoria, de um único embarcador até um destino final – às operações fracionadas.
Por experiência, posso afirmar que o impacto é enorme. Uma única viagem pode significar 10 notas fiscais, 10 clientes distintos e roteiros que mudam conforme paradas, descarregamentos e até novas coletas pelo caminho. O que isso tem a ver com o valor do frete? Tudo.
A tabela do piso mínimo, prevista para corrigir distorções históricas nos valores de frete pagos aos transportadores, define preços usando o número de eixos do caminhão, distância percorrida e tipo de carga. Mas quando a operação se fragmenta, aplicar o cálculo “um para um” simplesmente não funciona.
O fracionado não cabe nos moldes do cálculo direto: a viagem é orgânica, variável, multi-origem e multi-destino.
Conversei com operadores logísticos que descreveram situações em que o mesmo caminhão é autuado por “descumprir o piso” mesmo rodando lotado, pois a fiscalização simplesmente cruza dados de documentos fiscais eletrônicos sem analisar o contexto real.
As multas preocupam (e muito!) os pequenos negócios
Quando passei a buscar relatos do setor, vi uma preocupação enorme quanto às multas: elas variam de R$ 550 a R$ 10.500 por infração. Transportadoras de pequeno e médio porte, que compõem quase 70% dos agentes no segmento, costumam operar com margens apertadas. Para muitos, uma autuação dessas inviabiliza o mês inteiro.
Não é mera opinião. Matéria recente publicada na Transporte Moderno destacou que especialistas veem um aumento significativo de autuações e insegurança jurídica justamente pelo erro em aplicar critérios de cargas lotação ao fracionado. Mesmo cargas de baixo valor agregado, como milho, madeira e outras commodities agrícolas, podem se tornar inviáveis quando um cálculo padronizado pesa custos a mais.
Como o número de eixos impacta o valor do frete?
Se você já simulou o cálculo do piso mínimo, deve ter notado: quanto mais eixos o caminhão apresenta, maior o valor referencial da tabela. Isso faz sentido quando falamos de grandes lotações – só que, no modelo fracionado, o mesmo veículo pode transportar mercadorias de valores diferentes e para destinos distantes entre si.
- O transportador fica sem saber se aplica o piso da carga mais longa, da mais pesada ou soma todos os trechos?
- Quando as cargas são de baixo valor, como commodities, pagar valores de frete elevados pode simplesmente afastar quem depende dessas entregas para manter o negócio funcionando;
- Muitas vezes, é necessário improvisar rotas e dividi-las entre diversos “embarques”, dificultando ainda mais a composição de preço único e aumentando o risco de autuação;
Já ouvi de transportadores: “Agora temos medo de aceitar pequenos embarques porque o risco de multa virou quase certo”.
A insegurança jurídica e as demandas do setor
Nos fóruns em que participo, o tema da fiscalização automática da ANTT e das multas gerou uma corrida por orientação jurídica e técnicas de documentação. Não é por acaso: reportagens apontam que, entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, o artigo sobre fiscalização e multas foi o mais acessado no portal Transvias, com mais de 13 mil acessos e quase 16 mil visualizações.
A pressão é real. Pequenas transportadoras, assim como oficinas que dependem do fluxo de caminhões para prestar serviços rápidos (inclusive clientes da TAGA Auto Partes), sentem o impacto imediato quando há autuações ou bloqueios.

Por isso, venho percebendo que muitos especialistas defendem – e concordo totalmente – um ajuste técnico urgente nos critérios aplicados à fiscalização do frete fracionado, bem como diálogo transparente entre agência reguladora e transportadores. Entre as propostas, surgem:
- Revisão das formas de cálculo do piso mínimo para operações fracionadas;
- Maior detalhamento das informações nos documentos fiscais, facilitando a análise pela ANTT;
- Estímulo ao diálogo entre transportadores, varejo, embarcadores e o órgão regulador;
- Capacitação profissional nos processos de emissão e planejamento de rotas.
O papel da informação e da tecnologia no setor
A demanda por esclarecimento jurídico e operacional se tornou ainda mais evidente nos últimos meses. Vejo muitos transportadores buscando conteúdos como como rastrear peças e pedidos, ou o checklist de manutenção preventiva para caminhoneiro autônomo, reforçando a necessidade de adaptar processos e entender melhor o que muda na prática.
Recursos de tecnologia, integração de documentos fiscais eletrônicos e atualização constante de informações podem ajudar o segmento a trabalhar com mais confiança, ainda mais para pequenas e médias empresas, que são maioria no país e clientes constantes da TAGA Auto Partes.
Aliás, recomendo a leitura de mais novidades em logística, tecnologia e caminhões para quem atua no segmento.
Revisão de critérios e proximidade: uma saída urgente
Ao conversar com quem vive as estradas e acompanha o dia a dia das operações, percebo um consenso: ninguém quer fugir do piso mínimo, mas as regras precisam respeitar as particularidades do frete fracionado para garantir justiça e viabilidade aos negócios. A pressão da fiscalização automática, se não reajustada, tende a aumentar disputas judiciais, elevar custos logísticos e prejudicar um serviço que impulsiona o abastecimento nacional.
Pela minha experiência, vejo que abrir espaço para o diálogo entre ANTT, embarcadores, transportadoras e especialistas é a única forma de conciliar transparência, segurança e serviço eficiente – seja para grandes cadeias de suprimento ou o pequeno cliente de uma oficina em cidade do interior que não pode ver seu caminhão parado.
Conclusão
Na prática, o frete fracionado sustenta o comércio regional e a operação de milhares de empresas Brasil afora. A intensificação da fiscalização pela ANTT, apesar de bem-intencionada, mostrou falhas sérias na hora de aplicar as normas ao dia a dia real dessa modalidade de transporte, e muitos ajustes ainda são necessários para garantir equilíbrio, inovação e segurança ao setor.
Se você atua em transporte, logística ou manutenção de caminhões e quer reduzir riscos, aumentar a agilidade ou buscar peças de reposição de confiança, conheça a TAGA Auto Partes. Tenho certeza que ofereceremos o suporte, as soluções e o atendimento que seu negócio precisa.
Perguntas frequentes
O que é frete fracionado?
Frete fracionado é quando um caminhão transporta mercadorias de vários clientes diferentes, em uma mesma viagem, com diversos pontos de embarque e entrega. Esse modelo é usado principalmente no varejo, e-commerce e distribuição regional, pois permite flexibilidade e redução de custos logísticos ao consolidar cargas menores.
Como funciona a fiscalização automática da ANTT?
Desde outubro de 2025, a ANTT passou a fiscalizar automaticamente o cumprimento do piso mínimo do frete, cruzando dados digitais de documentos fiscais eletrônicos e rotas dos caminhões. Se for detectado o pagamento abaixo do piso previsto em tabela, transportadoras e motoristas autônomos podem ser multados, mesmo quando há particularidades no tipo de operação que dificultam a aplicação direta das regras.
Quais são os desafios do frete fracionado?
Os principais desafios são: cálculo complexo do frete, pois há muitos embarcadores e destinos num único caminhão; dificuldade em atender a tabela do piso mínimo da ANTT feita para cargas de um só embarcador; risco elevado de multas, já que o sistema automático nem sempre reconhece as diferenças do modelo fracionado; e insegurança jurídica, causada por autuações indevidas e interpretações divergentes sobre qual valor aplicar.
Como regularizar o frete fracionado na ANTT?
O frete fracionado deve ser documentado corretamente, detalhando origem, destino, carga e valores em notas fiscais e documentos eletrônicos. É recomendável buscar orientação de especialistas e manter registros detalhados de cada embarque. Em caso de autuação, é importante apresentar defesa técnica comprovando a dinâmica específica da operação fracionada.
Vale a pena optar pelo frete fracionado?
Vale sim, principalmente para abastecer pequenos e médios negócios, e reforçar operações do varejo e comércio online que flexibilizam entregas. O modelo, porém, exige atenção redobrada ao cumprimento de normas, atualização constante sobre legislação e gestão de riscos diante da fiscalização automática da ANTT. Em geral, para quem se adapta bem, permite maior faturamento e aproveitamento da frota de caminhões.
